Ubisoft inaugura estúdio de produção de games no Brasil


 

Fica próximo à Avenida Paulista, em São Paulo, o primeiro grande estúdio de desenvolvimento de jogos do Brasil. A francesa Ubisoft, conhecida por best-sellers como “Splinter Cell”, “Rayman” e”Assassin’s Creed”, entre tantos outros, escolheu a capital paulista como parte de sua estratégia de expansão e espera que, em poucos anos, São Paulo possa fazer pela América do Sul o que seu estúdio de Montreal fez pelo Canadá.

Considerada uma espécie de centro cultural de Quebec, Montreal é reconhecida pelos excelentes festivais de música, mas na última década gabaritou-se entre os principais pólos de outra manifestação cultural: os games. A cidade continua sediando atrações como o Montreal International Jazz Festival, mas de lá também saem jogos de produtoras como Electronic Arts, Eidos Interactive e Strategy First. Tudo começou, porém, em 1997, com a abertura de um estúdio da Ubisoft.

Bertrand Chaverot, que trabalha na companhia desde 1994, está à frente de uma empreitada e tanto: inaugurar e administrar um estúdio de produção da companhia em território nacional. “A indústria está crescendo e o Brasil tem que ‘pegar o trem’. Já que não há distribuição de jogos, começar com produção é outra maneira de não perder mais tempo”, explica Chaverot.

Ele está certo: a indústria do entretenimento eletrônico movimenta US$ 30 bilhões e cresce, em média, 15% por ano. O executivo aposta na criatividade do brasileiro, que ao mesmo tempo possui uma cultura ocidental, enquanto diferencial na hora de desenvolver os jogos. “Vamos contratar pessoas apaixonadas por videogames, com mente aberta, que gostem de arte, arquitetura e música, que tenham mentes globalizadas. Quem entrar na Ubisoft terá uma carreira internacional”, anima-se.

O estúdio da Ubisoft São Paulo começa a funcionar neste mês de julho e vai dedicar-se, em um primeiro momento, ao desenvolvimento de jogos para Nintendo DS voltados a meninos e meninas entre 8 e 14 anos (o chamado público “tween”, mistura dos termos “teen” e “between”).

A princípio serão 20 funcionários, entre brasileiros e estrangeiros, número que, estima-se, deve chegar a 40 em doze meses e 200 pessoas em três ou quatro anos. Até lá a idéia é que a Ubisoft São Paulo, além de produzir conteúdo para games de outros escritórios da companhia, seja capaz de desenvolver jogos para Wii, PlayStation 3 e Xbox 360.

Retorno para ficar

A Ubisoft, na verdade, já teve uma representação nacional, na mesma cidade de São Paulo e administrada pelo mesmo Bertrand – que não apenas fala português, como tem dupla nacionalidade e paixão pelo país. Centralizado na distribuição de jogos, a Ubisoft Brasil funcionou de 1999 a 2003, período necessário para estabelecer os canais de distribuição da companhia na América Latina. Concluído o trabalho, o executivo voltou à França para estudar e assumiu a direção de “third parties” (produtoras terceirizadas), até planejar o retorno em grande estilo da filial.

A princípio, o marketing, atualmente nas mãos da Electronic Arts (para jogos de PC), continua como está no retorno da Ubisoft ao país: “O mercado brasileiro, afetado pela pirataria e pela alta carga tributária, representa 0,5% do mercado mundial. Não faremos jogos para o Brasil”. Por outro lado, o país passa a integrar os planos da companhia em termo globais – basta dizer que a Ubisoft é a empresa mais pulverizada do setor, com escritórios em 20 países.

Além disso, a produtora está entre as que mais inovam: além de investir 28% de seu faturamento em pesquisas, possui uma meta de lançar três marcas originais a cada dois anos – nos últimos tempos foram “Assassin’s Creed”, “Petz”, “Imagine” e “Rayman Raving Rabbids”, só para citar algumas.

Foi-se o tempo em que videogame era sinônimo de “nerdismo”. A própria Ubisoft trabalha com a idéia de produzir jogos que sejam do interesse de 80% da população. “Antes apenas 12% das pessoas jogava, e hoje há jogos para meninas, pais e vovôs”, explica Chaverot, que sabe bem do que está falando, pois encabeçou a criação da linha “Imagine”, com jogos para perfis variados. É a chamada revolução dos jogos casuais, ou seja, com apelo a um público mais amplo, ancorada pela Nintendo, com o portátil DS e o Wii.

Outra aposta da companhia é na convergência entre cinema e games. E não se trata filmes que viram games, mas exatamente o inverso: “Vamos criar filmes com nossos jogos”, aposta Chaverot.

Jogo à brasileira

Para muitos jovens brasileiros, a idéia de trilhar uma carreira no desenvolvimento de games é um sonho distante. Afinal, progressos à parte – os cursos especializados, por exemplo -, o setor ainda engatinha por estas bandas. A chegada da Ubisoft, no entanto, é um novo gás, à medida que a empresa já faz aproximações com o Governo, universidades e até mesmo será filiada à Abragames (Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos).

“O Brasil tem muitos talentos”, destaca o executivo, que deixa claro que, a médio e longo prazo, a intenção é que o comando da produção seja tupiniquim, e não estrangeiro. “Para nós o principal desafio é contratar boas pessoas e treiná-las. Quando montamos um estúdio, 40% dos custos salariais durante os três primeiros anos são para formação, pois mandamos os profissionais para estudar em outras filiais”.

Ele sonha até mesmo “repatriar” brasileiros que trabalham em empresas no exterior: “Além dos estrangeiros que vamos trazer, gostaríamos de ter de volta brasileiros que estão trabalhando em outras produtoras. Isso nos interessa muito”.

E, ao que tudo indica, São Paulo é apenas o começo, à medida que já existe a intenção de, no futuro expandir as atividades para outras cidades, como Rio de Janeiro e Florianópolis.

UBISOFT SÃO PAULO

Fase 1: Nos primeiros 12 meses, no escritório em São Paulo, serão cerca de 50 funcionários, sendo a maioria deles brasileiros, produzindo jogos para Nintendo DS voltados às meninas entre 8 e 14 anos – o chamado público “tween”.

Fase 2: Trabalhar com “outsourcing”, ou seja, criar conteúdo – mapas, veículos, personagens etc – para jogos desenvolvidos por outras filiais da Ubisoft, como a de Montreal, por exemplo. É um bom método para aprender a trabalhar com os consoles, iniciando, assim que possível um projeto para Wii.

Fase 3: Dentro de três ou quatro anos de atuação no país, ter uma estrutura capaz de trabalhar com PlayStation 3 e Xbox 360. Seriam aproximadamente 200 funcionários. Florianópolis e Rio de Janeiro são outras cidades cogitadas para ter filiais.

 
Fonte: THÉO AZEVEDO
Redação UOL
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